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Tipo: Fundo    Dimensão: 160 cx.; 234 pt.    Datas: 1889-1990, predominantemente 1925-1990
História:
Luís Benavente nasceu em Lisboa, a 6 de Maio de 1902. Era filho de António Carlos das Neves Benavente e de Adelaide Victorina Ferreira Marques Benavente, ambos naturais de Lisboa, e sobrinho de Tertuliano de Lacerda Marques. Casou com Alice Benavente.

Originário de uma família ligada à arquitectura e à construção, frequentou a Escola de Belas Artes, em Lisboa, iniciando o curso de Arquitectura em 1925, que veio a concluir em 1930, na Escola de Belas Ar-tes do Porto. Em simultâneo, trabalhou no estrangeiro, com profissionais da área.

Terminado o curso e, durante um período de três anos, trabalhou no atelier de Pardal Monteiro, com arquitectos como Rodrigues Lima e Veloso Reis Camelo, participando em projectos como o do Instituto Superior Técnico.

Foi convidado por Duarte Pacheco para trabalhar, como delegado, para o Ministério das Obras Públicas, sendo colocado em comissões de obras em Coimbra (1934-1938). Colaborou na reforma e modernização do Sanatório de Celas; projectou e seguiu a obra do Hospital Sobral Cid (1936) e completou o dos Covões; desenvolveu, juntamente com Raul Lino, um plano visando a remodelação da Cidade Universitária de Coimbra, desde 1934; ainda nesse ano, recebeu o encargo do restauro do Claustro da Manga, obra que decorreu em 1935; foi nomeado para uma comissão tendo como objectivo o arranjo do Museu Machado de Castro e encarregado do remate do antigo Colégio de São Bento; integrou ainda a comissão responsável pela recuperação da zona alta da cidade.

Em Lisboa, de 1941 a 1949, foi-lhe entregue a obra de recuperação do Palácio Foz; projectou o Bairro da Madre de Deus e o Mercado de Arroios - ambos entre 1939-1942; em 1943, em conjunto com o arquitecto Paulino Montez, participou nos primeiros estudos para a urbanização da área de Olivais Sul; deve datar de 1938 o planeamento do Bairro do Caramão da Ajuda; de 1941 data o projecto das "Escolas primárias para a freguesia de São José", concluído entre 1944 e 1947; de 1947 a 1952 data o projecto da nova sede para o Automóvel Clube de Portugal, na Rua Rosa Araújo; a habitação própria na Lapa data de 1955 e o Teatro das Laranjeiras de 1973-1977.

Enquanto delegado do Ministério das Obras Públicas, integrou a Comissão para o estudo das providências a adoptar em caso de guerra, com vista à protecção dos bens culturais. Esta comissão foi presidida pelo director do Museu Nacional de Arte Antiga, integrando Mário Chicó, por parte da Educação Nacional, e João Amaral, por parte da Defesa Civil do Território. Entretanto, em 1952, foi nomeado director dos Monumentos Nacionais, sendo de referir o seu papel de guia na visita a Portugal da rainha Isabel II de Inglaterra.

Em 1947 foi-lhe confiada a escolha, em Londres, do edifício para a Embaixada de Portugal. Encarregou-se igualmente da respectiva reorganização e mobiliário. O projecto ficou concluído entre 1953 e 1954.

Entre 1948 e 1951 foi creditado, junto da Santa Sé, para a construção de uma capela dedicada a Nossa Senhora de Fátima, financiada particularmente. Foi vogal da respectiva comissão executiva.

Entre 1951 e 1952, adaptou a ala poente do Palácio de Belém, tendo em
vista a instalação do presidente, general Craveiro Lopes.

Entre 1953 e 1954 desenvolveu um projecto para a Igreja de Santa Engrácia, que deveria ser adaptada a Panteão Nacional.
Aplicou os seus conhecimentos técnicos nas áreas do restauro e da recuperação em Seteais (1953-1955). Interveio nas obras do Palácio da Berlenga (1952); Paço e conjunto de Guimarães (1954-1956); Palácio da Vista Alegre (1959-196)2; Crato, Mosteiro de Flor da Rosa, com obras de recuperação para um hotel (1968); Palácio Sottomayor, em Condeixa (1973-1987).

Entre finais dos anos 50 e início dos 70 foi destacado do Ministério das Obras Públicas para o Ministério do Ultramar, realizando obras ao nível do património em missões ultramarinas, nomeadamente, igrejas, fortalezas: cidade de São Tomé - a partir de 1958 e até 1967; Ribeira Grande na ilha de Santiago de Cabo Verde - entre 1962 e 1973; Bissau e Cacheu na Guiné - 1962 a 1969; Índia - últimos meses de 1961. Encontrava-se no território quando se deu a invasão indiana. Refugiou-se então no cargueiro italiano Comfidenza, trazendo consigo uma parte importante de documentação relativa ao património arquitectónico de Goa, Damão e Diu, que se supõe ter sido alvo de levantamento anterior, quando da missão na Índia Portuguesa, em 1954, de Mário Chicó e Humberto Reis.

Trocou correspondência com Quirino da Fonseca sobre o levantamento e protecção do património de Angola, Moçambique, Macau e Timor. Passou igualmente por outros locais com património arquitectónico português, como o Gana, a África do Sul, a Etiópia, Ormuz, Malaca, Sacramento. Estes trabalhos decorreram, principalmente, entre meados dos anos 50 e os anos 60 e 70.

Foi delegado de Portugal na comissão internacional que elaborou a carta de Veneza - documento sobre a conservação e restauro do património, em 1964, na sequência da realização do II Congresso Internacional dos Arquitectos e Técnicos dos Monumentos Históricos. A Carta de Veneza levou à criação de um outro organismo, dependente da UNESCO, o International Council of Monuments and Sites - ICOMOS - do qual Luís Benavente foi sócio fundador.

Em 1968, e para a UNESCO, participou na preparação da Recomendação acerca da conservação dos bens culturais postos em perigo.

Sendo representante da Academia Nacional de Belas Artes, integrou o júri do Prémio Valmor de 1980-1981.

Documentação doada ao ANTT por D. Alice Benavente, viúva de Luís Benavente, em 1995.
Descrição:
Documentação produzida e acumulada no âmbito do desempenho de uma actividade profissional concreta, reflectindo as diferentes áreas de actividade e de interesse do respectivo produtor.

Parte dela assume um carácter pessoal, como é o caso de alguma correspondência, dos postais, de fotografias, dos cartões de visita, dos convites (estes, em boa parte, oficiais), dos contactos de carácter profissional ou da agenda telefónica. Ainda neste domínio incluem-se os documentos relativos à actividade escolar e profissional: cadernetas, diplomas, trabalhos académicos, biografias/curricula, etc., bem como os respeitantes a associações como a Academia Nacional de Belas Artes, os Amigos de Lisboa, a Associação Lisbonense de Proprietários, o Sindicato Nacional de Arquitectos, a Sociedade de Geografia, entre outras.

De carácter estritamente profissional são os projectos, privados ou públicos, desenvolvidos por Luís Benavente, estes últimos para entidades como o Ministério das Obras Públicas, para o Ministério do Ultramar ou para diferentes Municípios. Incluem plantas, alçados, cortes, fotografias, desenhos, estudos, memórias descritivas, relatórios, actas, correspondência.

Na sequência do interesse de Luís Benavente pelas questões do património e respectiva preservação, refiram-se os documentos legais e teóricos tendo em vista a conservação e protecção do património de Cabo Verde, a correspondência e propostas de inventários, classificação ou protecção do património de Angola, Moçambique, Macau e Timor, bem como declarações, comunicações, conferências e relatórios por ele produzidos no âmbito da conservação, além de documentos internacionais respeitantes à mesma temática, como o texto da Carta Internacional sobre a conservação e restauração de Monumentos, da UNESCO, a Recomendação acerca da conservação de bens culturais postos em perigo pela execução de obras públicas ou particulares, também da UNESCO, entre vários outros.
Refira-se ainda uma colecção de desenhos de pormenor: apliques, ascensores, azulejos, caixilharias, cantarias, chaminés, colunas, escadas, estuques, fogões e lareiras, lustres, mobiliário, pavimentos - e uma colecção de fotografias e diapositivos.
Como apoio ao desempenho profissional ou directamente dele resultante, o fundo inclui documentação de carácter técnico sobre temas como a arquitectura ou o urbanismo, por exemplo, uma colecção de legislação, normativo e regulamentação sobre temáticas com ela relacionadas, uma colecção de catálogos de materiais (andaimes e cofragens, ascensores, azulejos e loiças, caixilharia metálica, granitos, iluminação e impermeabilização, pavimentos, tapetes e tapeçarias, cartões de fornecedores) e outra de recortes de jornais, estes últimos remontando a 1889.