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Tipo: Fundo    Dimensão:    Datas: 1687-1917
História:
Xavier da Cunha nasceu em Évora, a 14 de Fevereiro de 1840, e faleceu em Lisboa, em 11 de Janeiro de 1920. Era filho de Estêvão Xavier da Cunha jornalista, que detinha o cargo de secretário da Administração Geral do Distrito, em Évora. Foi casado com D. Antónia Balbina Mendes Figueiredo da Cunha.

Concluiu o curso da Escola Médico-Cirúrgica em 1865. Exerceu funções de cirurgião interno no Hospital da Marinha, em Lisboa, de facultativo da Associação Conciliadora de Santa Catarina, em Lisboa, do Hospital da Misericórdia, de Alcobaça, e do Hospital de Constância, na vila da Barquinha.

Em 1886 foi provido no cargo de segundo conservador da Biblioteca Nacional de Lisboa, tendo sido nomeado director da mesma em 1902, cargo que ocupou até 1910. No desempenho desta função organizou várias exposições, como as dedicadas a Cervantes, Petrarca, Garrett, ou biblio-iconográficas.

Publicou A Biblioteca Nacional e os seus livros médicos; A legislação tributária em benefício da Biblioteca Nacional; A Bíblia dos bibliófilos; A Biblioteca Nacional de Lisboa: suas deficiências e remédio dessas deficiências; Impressões deslandesianas: divagações bibliográficas; Notice sur la Bibliotheque Nationale.

Foi escritor, poeta, bibliógrafo. Publicou poesia lírica sob o pseudónimo de Olímpio de Freitas. As suas obras foram compiladas num volume, em 1910, com prefácio do próprio. Parte delas foi traduzida e publicada noutras línguas, nomeadamente em italiano, tendo sido tradutor Próspero Peragallo.

Uma das suas obras mais conhecidas é Pretidão de amor: endechas de Camões a Bárbara escrava seguidas da respectiva tradução em várias línguas. Lisboa: Imprensa Nacional, 1893-95. Publicou ainda António Ribeiro dos Santos: bibliófilo; Camões e Lord Stangford; Filinto Elísio: bibliófilo; Francisco Henrique Ahlaers: subsídios para a sua biografia; Homenagem a Vasco da Gama; Notícia de um precioso livro da Biblioteca Nacional: repertório dos tempos de Valentim Fernandes Aleman; A epopeia das navegações portuguesas: estrofes com traduções em italiano, espanhol e francês, por Prospero Peragallo, D. José Lamarque e José Benoliel; Frederico Mistral: parecer à sua candidatura; Garrett e as cantoras de San Carlos; Homenagem póstuma ao visconde Júlio de Castilho; Manuel Vieira da Natividade; A medalha de Casimiro José de Lima em homenagem a Sousa Martins; No adro da igreja das Chagas: soneto a Camões; A medalha escolar do Colégio do Corpo Santo; Algumas palavras acerca do Conde de Valenças; Quem era José Colffs de Guimarães; Sepultura de Garrett; entre outras.

Colaborou no Arquivo Pitoresco, na Gazeta de Portugal e no Dicionário contemporâneo, organizado por Caldas Aulete e Santos Valente, e no Dicionário Popular, dirigido por Pinheiro Chagas, e ainda no Álbum de costumes portugueses, Lisboa-Creche ou A Espanha, publicação ilustrada, dedicada à Associação dos escritores e artistas espanhóis - Madrid. Dirigiu, ele próprio, várias publicações, como A Biblioteca do Povo e das Escolas.

Colaborou também na Exposição Oceanográfica e no Congresso Internacional de Liêge.
Foi sócio correspondente da Academia das Ciências de Lisboa, bem como
de outras instituições de carácter literário e científico, em Portugal e no estrangeiro.

Existe, na Torre do Tombo, Colecção Castilho (ex. 8, mç. 4, n. 4 (23), uma carta dirigida por José Artur Bárcia, testamenteiro de Antónia Balbina Mendes Figueiredo da Cunha, mulher de Xavier da Cunha, na sequência da sua morte, a António Baião, director do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, datada de Lisboa, 12 de Julho de 1927, em que afirma enviar-lhe "l .. '] alguns manuscritos, diplomas e pergaminhos que encontrei no espólio da falecida e que julgo ficarem bem em deposito n esse Estabelecimento de Estado [. .. ]"
Descrição:
Documentação de carácter pessoal e profissional: correspondência recebida, manuscritos de obras publicadas e de obras apresentadas a concursos, revisão de provas tipográficas, diplomas de participação em iniciativas de carácter cultural ou relativos a prémios obtidos em concursos de poesia, diplomas de membro ou de sócio passados por academias ou institutos com objectivos culturais, científicos ou de benemerência, nacionais e estrangeiros, cartas régias de nomeação para ofícios e cargos, diplomas de irmão de várias confrarias.

As suas actividades de biógrafo tê-le-ão levado a reunir documentação de, ou relativa, a várias personalidades. Refira-se uma menção de Júlio de Castilho, nas Memórias de Castilho, a alguns documentos do espólio literário de António da Silva Túlio, conservados no arquivo de Xavier da Cunha (IANTT, Colecção Castilho, cx. 39, mç. 7, n. 1, fi. 343). Por essa razão, encontra-se neste fundo documentação das seguintes personalidades:

Tomás de Carvalho, nascido no Porto, a 24 de Dezembro de 1819 e falecido em Lisboa, a 3 de Julho de 1897, filho de José de Carvalho e de Rita de Cássia de Carvalho. Doutorado em Medicina pela Faculdade de Paris, director da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, professor de Anatomia na referida Escola e enfermeiro-mor do Hospital de São José. Em 1858 foi eleito deputado. Foi ainda provedor da Misericórdia, sócio efectivo da Academia Real das Ciências, par do Reino, vogal do Conselho Superior de Instrução Pública. Deu colaboração a vários jornais e revistas e editou diversos trabalhos.

A documentação que lhe diz respeito reporta-se aos anos de 1851, 1853, 1855, 1872, 1880-1881 e 1889. Trata-se, fundamentalmente, de cartas régias (algumas cópias) de nomeação para cargos ou dignidades ou acompanhando cópias autênticas de portarias régias de nomeação para os mesmos.

João Maria d' Abreu Castelo Branco, conde de Fornos de Algodres, do Conselho do rei, par do Reino, conselheiro e juiz do Supremo Tribunal de Justiça, comendador da Ordem de Cristo, deputado da Nação.

A documentação que a ele respeita reporta-se aos anos de 1837, 1839, 1852-1853, 1862 e 1872-1873. Inclui alvarás, cartas ou portarias de concessão de mercês várias: título do Conselho da Rainha (1837), comendador (1839), grã-cruz da Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa (1862) e título de Visconde de Fornos de Algodres, em duas vidas (1852).

António dos Santos Ferreira Jardim nasceu em Coimbra, em 25 de Dezembro de 1821, e aí faleceu em 1888. Filho de Francisco dos Santos Pereira Jardim, doutor e lente catedrático da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. A documentação que a ele se reporta é uma apostilha de mercê, datada de 1869, concedendo-lhe uma promoção.
José Tomás de Sousa Martius, nascido em Alhandra, em 7 de Maio de 1843, filho de Caetano Martins e de Maria das Dores de Sousa Martins. Frequentou o curso de Farmácia em Lisboa e, em 1861, iniciou a frequência do curso médico da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, que concluiu em 1866. Foi professor da Secção Médica da mesma Escola, tendo sido promovido a lente em 1871. Foi secretário e bibliotecário da mesma Escola entre 1873 e 1876. Em 1874 foi nomeado médico extraordinário do Hospital de São José, chegando, em 1885, a director de enfermaria de medicina do mesmo hospital.
Foi secretário e relator da comissão encarregue da elaboração da Pharmacopêa geral do Reino, 1871, publicada com o título Pharmacopêa portuguesa; da comissão nomeada, em 1860, para rever o regulamento quarentenario de 1860, entre muitas outras. Foi membro titular da Sociedade de Ciências Médicas de Lisboa, bem como de outras instituições congéneres, nacionais e estrangeiras. Colaborou em várias publicações periódicas no domínio das ciências médicas, sendo autor de vários trabalhos no mesmo domínio.

O documento que se lhe reporta data de 1884 e trata-se da angariação de associados por parte da Associação Serviço voluntário de ambulãncias em incêndios.

De referir que Xavier da Cunha colaborou na publicação da obra Sousa Martins (ln memoriam). Lisboa: off. typ. Casa da Moeda, 1904.

Rodrigo Boaventura Martins Pereira, filho de José Martins Pereira, nasceu em Aldeia Galega da Merceana, no concelho de Alenquer, em 1843. Foi médico cirurgião pela Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, onde chegou a ser lente da Secção Cirúrgica. A partir de 1873 desempenhou o cargo de cirurgião ordinário no Banco do Hospital de São José, em Lisboa, e o de facultativo da Associação dos Ourives da Prata de Lisboa.

A documentação reporta-se aos anos de 1864-1867, 1873-1876, 1880 e 1885 e decorre das suas actividades enquanto aluno da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa (prémios obtidos) e, posteriormente, de médico cirurgião. Inclui também cartas de nomeação para diferentes cargos.

Publicou La rotation et le mouvement curviligne: nouvelle théorie de l'attraction et de la répulsion des corps appliquée à la gravité, à la cohésion et à l'affinité. Lisbonne: Imprimerie Elzévirienne, 1885. Existem cartas dirigidas ao referido por parte de instituições nacionais e estrangeiras agradecendo o envio da obra: Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, Royal Observatory, Greenwich, Harvard Colledge Observatory, Academia Húngara das Ciências, etc.

Em homenagem a Rodrigo Boaventura Martins Pereira, Xavier da Cunha compôs o soneto Vida humana, no dia do seu funeral, publicado no Almanach ilustrado do Occidente (para 1904). Lisboa, 1903.

De Manuel Caetano Rodrigues, porta-estandarte do Regimento de Cavalaria de Chaves, existe uma carta patente de D. Miguel, datada de 1831, nomeando-o alferes supra-numerário do regimento n° 7 da mesma arma.

António da Silva Túlio nasceu em Carnide, a 15 de Agosto de 1818 e faleceu em Lisboa, em 4 de Janeiro de 1884. Em 1844 começou a trabalhar na Biblioteca Nacional, como oficial, conservador e bibliotecário, sucessivamente, chegando a exercer, interinamente, funções de direcção, na ausência do bibliotecário-mor José da Silva Mendes Leal.

Procedeu a investigações nos domínios da História e da Arqueologia. Escreveu, entre 1848 e 1849, para o jornal A Época, com o pseudónimo de Barão de Alfenim. Foi director e redactor principal de um jornal literário intitulado A Semana, entre 1851-1852. Escreveu também crónicas, artigos de carácter literário e folhetins para jornais como a Restauração, Carta, Tempo, Regeneração, País, Pátria, Civilização, entre outros. Foi colaborador da Revista Universal Lisbonense e director e redactor principal da revista Arquivo Pitoresco. Integrou a Junta Consultiva da Instrução Pública, criada em 1869. Foi fundador da Sociedade Madrepérola, criada com o objectivo de auxiliar o desenvolvimento e progresso de Portugal, sócio efectivo da Academia Real das Ciências de Lisboa, bem como de associações e academias nacionais e estrangeiras.
Foi nomeado cavaleiro ou comendador de várias ordens por serviços prestados durante a epidemia de febre amarela, que grassou em 1857.

A documentação espelha, parcialmente, a sua actividade, entre os anos de 1856,1859-1862,1864,1871-1873,1875.
Xavier da Cunha publicou uma biografia de António da Silva Túlio em O Occidente. V. 7. Lisboa, 1884.

João Xavier da Costa Veloso nasceu em Lisboa, em 22 de Dezembro de 1778 e faleceu nesta cidade a 9 de Janeiro de 1859. Era filho de Estêvão Xavier da Costa Veloso e de Joana Rosa de Almeida. Em 1794 alistou-se, voluntariamente, no Regimento de Artilharia da Marinha, tendo sido promovido a cadete em 1796. Em 1801 passou para o Regimento n° 1 da Corte, chegando a marechal de campo reformado em 1852. Combateu na Guerra Peninsular. Foi professor do Real Colégio Militar desde a sua origem, nele servindo posteriormente como comandante. Liberal assumido, esteve preso durante o período em que D. Miguel deteve o poder. Dedicou-se também às Letras, tendo publicado trabalhos em vários periódicos.
A documentação que lhe diz respeito inclui cartas patentes de nomeação para os vários cargos que ocupou e reporta-se aos anos de 1837, 1844 e 1852.

Xavier da Cunha publicou uma biografia de João Xavier da Costa Veloso no Diccionario popular. V. 4. Lisboa, 1878, p. 396-397.

Existe ainda, neste conjunto documental, documentação impressa relacionada com a obra Impressões deslandesianas: divagações bibliographicas. Lisboa: Imprensa Nacional, 1895.
Parte da documentação de Xavier da Cunha encontra-se junta à Colecção Castilho, carimbada enquanto tal e descrita nos respectivos ficheiros: 79 a 86.